Marcelo Crispim

sexta-feira, agosto 03, 2012

Relacionamentos – uma confusão que vale a pena


Relacionamentos – uma confusão que vale a pena[1]
          
Motivado pelo Dia dos Namorados resolvi pensar um pouco mais sobre os relacionamentos que temos. Descobri que vivemos um colapso relacional! Não poucas vezes presenciamos brigas entre casais. Algumas dentro da Igreja antes mesmo de terminar os avisos. São maridos que não entendem as esposas. Esposas que não conversam com os maridos. Namorados que antes de casarem ou enfrentarem uma crise juntos como família já estão em pé-de-guerra. Sentimentos de dor, tristeza, abandono, solidão, decepção, amargura e frustração, constantemente estão assolando os corações e ocupando a mente das pessoas mesmo na igreja. Será que a Bíblia tem algo a nos dizer para revitalizarmos nossos relacionamentos? Para termos um relacionamento que glorifique a Deus? Creio piamente que sim!
Primeiro, devemos entender que o Senhor criou Adão e Eva como expressão do relacionamento perfeito que existe na Trindade desde a eternidade (Gn 1.26-28). Nosso compromisso com a pessoa que Deus colocou em nossas vidas é expressar essa glória manifestada não comunhão de amor, submissão e serviço existentes em Deus Pai, Filho e Espírito Santo (Jo 17.21-24).
Segundo, precisamos entender a queda e suas consequências (Gn 3-4). Adão e Eva se rebelaram contra Deus e a partir de então, não cumpririam mais suas ordens de governar o mundo criado, sujeita-lo e multiplicarem-se. Com a queda multiplicaram suas dores, “conheceram” de forma limitada o bem e o mal, e não sabem lidar com eles, tentam governar e sujeitar a vida um do outro a ponto de ser continuamente mau todo desígnio dos seus corações (Gn 6.5).  Portanto, para que nossos relacionamentos sejam melhores devemos travar a batalha no campo dos nossos corações. Nossos corações guiarão nossos comportamentos. Relacionamentos e circunstâncias são apenas ocasiões nas quais nossos corações se revelam. O que nos leva a concluir: se o seu coração é a fonte do problema do seu pecado, então a mudança permanente deve abranger a totalidade do seu coração. Para termos relacionamentos saudáveis não é suficiente alterarmos o comportamento ou mudarmos as circunstâncias, Cristo precisa transformar radicalmente nossos corações. Se o coração não mudar será inútil (Mt 23.25,26) [2].
Em último lugar devemos entender que nossos relacionamentos não são um fim em si mesmo, é um meio de nós glorificarmos a Deus. O apóstolo Paulo nos instrui dizendo “quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1Co 10.31). A ironia é que, ao revertermos essa ordem, elevamos a criação acima do criador, acabamos destruindo os relacionamentos que Deus queria que desfrutássemos. Nós nos contentamos com a satisfação de relacionamentos humanos quando estes deveriam apontar para a satisfação relacional perfeita que encontramos apenas com Deus[3].
Portanto, se quisermos relacionamentos que são saudáveis, e glorificam a Deus e nos trazem alegrias, precisamos aprender a colocar em prática o relacionamento de submissão encontrado na Trindade. Devemos lidar com o pecado do nosso coração para termos uma melhor relação com Deus e com minha esposa, namorado, filhos e amigos. E por fim, tenho que viver todas as áreas como expressão da glória de Deus que resplandece em mim e através de mim. E que Deus nos dê todos os dias para celebra-los como sendo Dia dos Namorados.  


[1] Título do livro de Timothy Lane e Paul Tripp editado pela Editora Cultura Cristã.
[2] Paul david Tripp. Instrumentos nas mãos do Redentor, pp.95-96
[3] Timothy Lane e Paul Tripp. Relacionamentos, p.19

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